Fundada em 11 de agosto de 1957, a Casa do Estudante de Mossoró completa hoje 60 anos de história. A data poderia ser motivo para comemoração. Mas os pratos vazios dos estudantes do abrigo não deixam espaço para festas.

O clima na casa não é de alegria, mas de desespero. O almoxarifado praticamente vazio pede ajuda. Nas prateleiras, os alimentos foram substituídos por baldes, garrafas e outros itens que não alimentam ninguém.

O pouco que tem é o “grosseiro”. Massa de milho, arroz, farinha, açúcar, mas falta até feijão. A mistura, carnes ou outro acompanhamento, é algo raro.

A unidade de apoio aos estudantes de cidades de toda a região Oeste e até de outros estados, passa, possivelmente, pela maior crise de sua história.

O estudante de Direito do município de Riacho de Santana, Artur Costa, é residente da casa há cerca de cinco anos e relata o grau de dificuldade atual. “Desde que cheguei nunca tinha enfrentado, junto aos demais colegas, uma crise tão forte quanto a atual. A situação atual é bem precária, devido à falta de alimentos. Acho que é a maior crise de alimentação pela qual a casa de estudante já passou”, enfatiza.

O estudante recorda que já foram servidas até quatro refeições por dia na instituição. Hoje, só o almoço está garantido por doações.

Atualmente, a Casa do Estudante de Mossoró sobrevive exclusivamente de doações.

Até 2014, um convênio com o Governo do Estado garantia a alimentação dos residentes. “Até o final da gestão da atual prefeita de Mossoró o governo enviava os alimentos. A partir do início da gestão de Robinson Faria cessaram-se todos os recursos de alimentação do Governo do Estado, até a presente data”, reclama Artur Costa.

Para tentar resolver esse problema, uma comissão de estudantes já procurou a Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (SETHAS) em várias oportunidades, sendo recebidos até pela titular da pasta, primeira-dama Julianne Dantas Faria, mas sempre com resultado negativo. “Sempre colocam dificuldades. Por último, fizeram uma proposta para enviar alimentação em troca de permuta da área onde a Casa do Estudante está instalada”, revela Artur Rocha.

As dificuldades estão afastando os estudantes do abrigo. Atualmente, são cerca de 80 alunos na unidade, diante de uma capacidade de até 120 residentes. “Falta de alimentação é o entrave para a chegada de novos sócios à Casa do Estudante. O pai de família que está no interior do estado, quando vê notícias sobre as dificuldades e necessidades, não vai mandar seu filho para cá. Aqui a certeza é de vir para passar fome. Nenhum pai vai tirar o seu filho de casa para passar até fome em outra cidade”, arremata o estudante de Direito de Riacho de Santana.

Por enquanto, nesse cenário triste, o único alimento vasto na Casa do Estudante de Mossoró é o conhecimento.

 

 

 

 

 

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